terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Etepam

TEXTO, ENTREVISTA E FOTO POR MAYRA MEIRA

Localizada no bairro da Encruzilhada em Recife, a Escola Técnica Estadual Professor Agamenon Magalhães (Etepam) tem um passado digno. Reformada, a instituição tenta restabelecer a qualidade da educação pública em Pernambuco.

A Etepam oferece cursos de Informática, Inspeção de Equipamentos Industriais – Mecância, Edificações, Design de Interiores, Química, Design Gráfico, Mecatrônica e Logística.

Apesar da inserção de novos cursos na escola, os livros da biblioteca estão ultrapassados; faltam extintores de incêndio nos laboratórios de química (o que viola as normas de segurança laboratorial); as aulas de desenho técnico nos cursos de Design Gráfico e Design de Interiores ocorrem em salas improvisadas; não há fotocopiadora, nem cantina.

João Alves de Souza, 55 anos, aposentado, cursou a oficina de pintura (duração de 4 anos com 4 horas diárias) durante o antigo Ginásio (quinta à oitava série do ensino fundamental contemporâneo) no Colégio Técnico Estadual Professor Agamenon Magalhães (Ctpam), hoje Etepam, entre os anos de 1965 e 1968 – quando vigorava o regime militar. “Houve uma falta de incentivo no setor educacional brasileiro”, declara ele. Mesmo que houvesse opressão ideológica durante esse período, as escolas da rede pública eram boas.

O Ctpam oferecia os cursos de Marcenaria, Tipografia, Encadernação, Pintura/Modelagem, Fundição e Mecânica. Todos com ótima infra-estrutura, servindo os estudantes com equipamentos necessários para uma formação acadêmica decente. Segundo João, o nível do Ctpam era superior à escola de Belas Artes (que ficava no Benfica, Recife) no tocante ao ensino das técnicas e do material utilizado.

Sociólogo, psicólogo, arquiteto, engenheiro, artista formado na escola de Belas Artes de Viena e poliglota (dominava nove idiomas), o mestre de pintura e desenho Roderick Rosas tinha qualificação de sobra para lecionar no Ctpam. Os pincéis da instituição eram importados, vinham da Holanda e Alemanha. Hoje em dia, o ateliê de design gráfico nem pincel tem. Os professores eram bem remunerados, todos possuíam carro numa época em que este não era um artigo popular.

Em 1999, João visitou a Etepam. Ficou pasmo quando viu que o busto de gesso construído trinta anos antes, estava pichado. A antiga Casa de Fundição abrigava telas rasgadas e quadros depredados.

Por mais que a gestão de Eduardo Campos esteja empreendendo no ensino profissionalizante, a Etepam ainda precisa de bastante incentivo governamental para se transformar numa instituição capaz de qualificar profissionais para o mercado de trabalho.





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