segunda-feira, 14 de abril de 2014

Entrevista com Fontes

Entrevista realizada via e-mail em março de 2012 com Gustavo Fontes, autor do livro "Efemérides - Contos e Poemas" lançado pela Editora Bagaço. 

Mayra Coelho - Os contos e poemas da obra Efemérides são uma antologia escrita em que período da sua vida?
Gustavo Fontes - Entre os meus 17 e 27 anos. 10 anos de produção, peneirados e selecionados neste livro.

MC - As histórias que você narra em seu livro Efemérides que se passam no sertão vêm da sua trajetória de vida? 
GF - Sim. quando tinha 21 anos, e cursava o 5° período de filosofia na UFPE, decidi 'deixar tudo' (nome romântico para, viajar sem data de volta...) e ir apoiar a eleição do presidente Evo Morales. Na volta, morei seis meses em uma comunidade alternativa de Hippies (um pós-ENCA), em pleno Sertão Baiano. 

MC - Você escreve sobre a cultura cigana no conto Feitiço. Como se deu o contato com a cultura cigana? 
GF - Houve em mim, desde sempre, um fascínio com essa cultura nômade, tão estranha ao nosso sedentarismo comodista. E então, uma vez no sertão, ouvi relatos que me sugeriram este conto!

MC - A natureza está muito presente na sua obra. Você se considera um neo-árcade, que reside na cidade e idealiza uma vida amena no campo? 
GF - "Puxa", neo-árcade. Existe isso? Espero que não, "hehe"! Na verdade, não idealizo a natureza. Pelo contrário, me fascino e me identifico com seu espetáculo concreto, entende. O que ela é de fato, com seu equilíbrio dinâmico, harmônico, mas nada inofensivo. Por exemplo, sou vegetariano até o dia em que puder caçar minha presa, entende? Pois é a vida real, na mata que me fascina, sua dinâmica interna, soberba, exuberante...

MC - Você tem algum hábito que incita a sua inspiração literária? 
GF - Li, em algum lugar, que o que se exercita é a escrita. Mas a poesia, como a boa literatura, simplesmente acontece (para uma mente sensível e alerta, claro). Então, depois desse breve momento de "inspiração"; vem os 99% de transpiração de que falava Einstein.

GF - Quem se interessar em ler, pode comprar o livro me mandando o endereço por e-mail: fontesholanda@gmail.com Custa R$15,00, + R$ 2,00 pela taxa de envio = R$17,00.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008






Denúncia:

Máquinas precisam ser restauradas.

No pátio da Etepam há muitos equipamentos esquecidos. A exemplo de uma guilhotina Guarani que se encontra ao relento. Ao invés de contribuírem para o melhoramento dos cursos profissionalizantes, a situação dessas máquinas revela a ineficácia e a morosidade do funcionalismo público brasileiro.












terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Etepam

TEXTO, ENTREVISTA E FOTO POR MAYRA MEIRA

Localizada no bairro da Encruzilhada em Recife, a Escola Técnica Estadual Professor Agamenon Magalhães (Etepam) tem um passado digno. Reformada, a instituição tenta restabelecer a qualidade da educação pública em Pernambuco.

A Etepam oferece cursos de Informática, Inspeção de Equipamentos Industriais – Mecância, Edificações, Design de Interiores, Química, Design Gráfico, Mecatrônica e Logística.

Apesar da inserção de novos cursos na escola, os livros da biblioteca estão ultrapassados; faltam extintores de incêndio nos laboratórios de química (o que viola as normas de segurança laboratorial); as aulas de desenho técnico nos cursos de Design Gráfico e Design de Interiores ocorrem em salas improvisadas; não há fotocopiadora, nem cantina.

João Alves de Souza, 55 anos, aposentado, cursou a oficina de pintura (duração de 4 anos com 4 horas diárias) durante o antigo Ginásio (quinta à oitava série do ensino fundamental contemporâneo) no Colégio Técnico Estadual Professor Agamenon Magalhães (Ctpam), hoje Etepam, entre os anos de 1965 e 1968 – quando vigorava o regime militar. “Houve uma falta de incentivo no setor educacional brasileiro”, declara ele. Mesmo que houvesse opressão ideológica durante esse período, as escolas da rede pública eram boas.

O Ctpam oferecia os cursos de Marcenaria, Tipografia, Encadernação, Pintura/Modelagem, Fundição e Mecânica. Todos com ótima infra-estrutura, servindo os estudantes com equipamentos necessários para uma formação acadêmica decente. Segundo João, o nível do Ctpam era superior à escola de Belas Artes (que ficava no Benfica, Recife) no tocante ao ensino das técnicas e do material utilizado.

Sociólogo, psicólogo, arquiteto, engenheiro, artista formado na escola de Belas Artes de Viena e poliglota (dominava nove idiomas), o mestre de pintura e desenho Roderick Rosas tinha qualificação de sobra para lecionar no Ctpam. Os pincéis da instituição eram importados, vinham da Holanda e Alemanha. Hoje em dia, o ateliê de design gráfico nem pincel tem. Os professores eram bem remunerados, todos possuíam carro numa época em que este não era um artigo popular.

Em 1999, João visitou a Etepam. Ficou pasmo quando viu que o busto de gesso construído trinta anos antes, estava pichado. A antiga Casa de Fundição abrigava telas rasgadas e quadros depredados.

Por mais que a gestão de Eduardo Campos esteja empreendendo no ensino profissionalizante, a Etepam ainda precisa de bastante incentivo governamental para se transformar numa instituição capaz de qualificar profissionais para o mercado de trabalho.